Esta piscina (um oásis no meio do
nada) atraía os colonos que viviam em Matadi e aos sábados não havia lugar
vago…Matadi confinava com Nóqui e a novidade do contrabando era diária – o pau rosa, o marfim e o pau preto fizeram as delícias da tropa que nunca tinham visto nada
daquilo…sabia-se que os guerrilheiros estavam sedeados em Matadi e era dessa
cidade que partiam os contingentes para as emboscadas…com as operações na mata,
a Companhia tentava controlar o fluxo de combatentes, mas era uma tarefa muito
complexa que era como diz o povo, achar uma “ agulha no palheiro”…os combatentes e com a experiência
do teatro de guerra, vendo-se ou encontrando-se a agulha, não se lhe mexia, para evitar confrontos vingativos no curto prazo...
Um dia a PIDE deu-me um salvo conduto para me deslocar a Matadi e o Ribeiro que tinha um Bar no lado contrário ao do bar do Jardim, ofereceu-me a carrinha e lá fui ...
Matadi, depois da revolução, era uma cidade Belga completamente arruinada - o "Metropole" um hotel de luxo ainda tinha vestígios do poder colonial Belga - a entrada iniciada por uma escada em caracol debruada a alabastro, tinha um aspeto majestoso e os candeeiros com "abajour" a marfim davam um pequeno indício do que teria sido antes da revolução...desloquei-me por curiosidade a um café para beber uma cerveja e quando lá entrei, não retrocedi imediatamente, porque tive medo... os pretos eram dezenas e os olhares colocaram-me em destaque - um deles abeirou-se e num "fioco afrancesado" que percebi, convidava-me para um encontro no mato com alguém com poder - estive à beira de desertar com medo da retaliação que viesse a seguir...com um "au revoir, et je vais penser" avancei para a carrinha e só parei na fronteira para falar com o PIDE que sem querer saber de nada, me disso:- nunca mais voltes a fazer isto, se queres chegar ao " Puto" são e salvo...o erro, ensinou-me que não se pode ser estúpido na guerra e daí para a frente nunca mais sai do aconchego da Companhia 771...
Um dia a PIDE deu-me um salvo conduto para me deslocar a Matadi e o Ribeiro que tinha um Bar no lado contrário ao do bar do Jardim, ofereceu-me a carrinha e lá fui ...
Matadi, depois da revolução, era uma cidade Belga completamente arruinada - o "Metropole" um hotel de luxo ainda tinha vestígios do poder colonial Belga - a entrada iniciada por uma escada em caracol debruada a alabastro, tinha um aspeto majestoso e os candeeiros com "abajour" a marfim davam um pequeno indício do que teria sido antes da revolução...desloquei-me por curiosidade a um café para beber uma cerveja e quando lá entrei, não retrocedi imediatamente, porque tive medo... os pretos eram dezenas e os olhares colocaram-me em destaque - um deles abeirou-se e num "fioco afrancesado" que percebi, convidava-me para um encontro no mato com alguém com poder - estive à beira de desertar com medo da retaliação que viesse a seguir...com um "au revoir, et je vais penser" avancei para a carrinha e só parei na fronteira para falar com o PIDE que sem querer saber de nada, me disso:- nunca mais voltes a fazer isto, se queres chegar ao " Puto" são e salvo...o erro, ensinou-me que não se pode ser estúpido na guerra e daí para a frente nunca mais sai do aconchego da Companhia 771...
Fuzileiros no Rio Zaire à espreita...fotos gentilmente cedidas pelo BART. nr.1922, Companhia 1725
1 e 2 - As escadas do Palácio do Governador( abandonado); 2 - Cunha ( falecido); 3 - um Ribatejano; 4 - Gonçalves; 5 - Oliveira; 6 - AR.
A equipa do reabastecimento e um pequeno acidente; uma visita de trabalho Nóqui e a extraordinária via marítima que era o rio Zaire ou Congo.
Sanzala no Congo, quase na fronteira com Angola - daqui vinham muitos guerrilheiros desta povoação para combater os "Tugas"...
No Cabeço do Tope, ponte que passava por cima do rio Lué, onde abastecíamos de água para as lides da cozinha e da higiene...seguindo a picada (única) alcançávamos M`Pala...
continua nr. 9












